Um passeio calorento e espremido na van, em Salvador

14/01/2009

A aventura deste post foi vivida e narrada pela minha amiga Luciana Glenda, que hoje mora na Espanha.

A história que eu vou contar aconteceu em Salvador, na Bahia, em dezembro de 2006. Eu e meu namorado fomos de férias passar uma semana na cidade. Ficamos hospedados comodamente em um hotel três estrelas, na Praia de Ondina.

Animados para passear, fomos até uma locadora de carros. Entretanto, para lugar um carro é necessário a carteira de motorista e um cartão de crédito. O problema é que eu tinha a carteira de motorista, mas não tinha o cartão de crédito, e ele tinha o cartão, mas não a carteira de motorista.

Enfim, devido à impossibilidade de alugar um carro decidimos que a única solução seria usar o transporte coletivo. A princípio tudo aconteceu sem maiores problemas. Bom, o que a gente já sabe sobre o transporte público no Brasil: ônibus velhos, lentos, sujos e, acima de tudo, cheios, bem cheios. Uma vergonha, mas já estamos acostumados.

Lá pelo quarto, quinto dia de viagem, decidimos ir a Praia do Forte. É um lugar lindo que vale super a pena ir, onde tem aquele projeto Tamar, das tartarugas marinhas.

Esperamos o ônibus durante horas e, já cansados e com medo de perder o dia (pois deveríamos ir e voltar no mesmo dia), resolvemos pegar uma van. Mal sabíamos em que aventura estávamos embarcando…

Depois de uma hora de caminho, e muito antes de chegar a tal Praia do Forte – porque é bem longe, principalmente indo de transporte público, essa van continuava parando pelo caminho para pegar mais passageiros, dobrando a capacidade do carro. Todo mundo espremido, um em cima do outro. E o mais curioso é que em uma dessas paradas subiu um policial, um guarda desses urbanos, e foi lá, todo esmagado com o resto dos passageiros, como se tudo aquilo fosse normal. Gente, estávamos usando um transporte CLANDESTINO!!!

As pessoas cantavam, assobiavam, liam e olhavam a paisagem. Até o meu namorado entrou no clima e, junto com um outro rapaz, começou a cantar “querem meu sangue”, música do Cidade Negra. Não poderia ter trilha sonora melhor como fundo musical para a situação.

Por sorte, chegamos ao destino sãos e salvos. Na volta, claro, foi a mesma coisa: os ônibus e vans disponíveis demoravam muito e não eram suficientes para a quantidade de gente que esperava.

Alguns eram turistas e também tinham estrangeiros, já que nem todo mundo pode, por um motivo ou outro, alugar um carro. A questão é que a grande maioria dessas pessoas era composta por locais que precisam do transporte para poder trabalhar etc… E aqui deixo meu desafio. Gostaria que o prefeito, secretário de transportes de Salvador ou qualquer autoridade que o valha, que nunca andou de ônibus ou van na vida, que experimente andar uma vez. Com certeza a experiência o fará entender a problemática, o perigo e as condições precárias que vive a população.


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