Fio dental

23/03/2011

Quando se pensa que já se presenciou o pior do pior no transporte coletivo, vira minha prima e me conta que assistiu de camarote, num trem do metrô, um sujeito passando fio dental. Sim, F-I-O  D-E-N-T-A-L.

Eu não sei o que mais me arrepia:

1) se é pensar que o cara tá com as mãos sujas e vai fazer sua higiene bucal ali no trem lotado, depois de ter encostado em várias pessoas, de ter segurado naquelas barras de apoio que são mais do que ensebadas, antes de pegar uns centímetros do fio dental limpinho pra passar nos dentes;

2) ou se é pensar na coragem que ele teve em expor o momento de intimidade em fazer sua higiene bucal na frente de todos (porque eu e minha colega Shirley concordamos numa coisa: passar fio dental é no banheiro, sozinho, sem testemunhas);

3) ou ainda em pensar que ele, depois de passar o fio dental, vai segurar com as mesmas mãos cheias de restos de alimentos e saliva nas mesmas barras de apoio do trem que eu costumo usar quando utilizo esse transporte coletivo.

SOCORRO!!!!


Bem antes das mulheres-fruta…

23/09/2010

…Existiu o homem-fruta. Não, não estou falando no sentido pejorativo de algum gay e tals. Mesmo porque isso seria injusto com a minha classe rs…  Isso deve ter acontecido lá pros idos de 1997… enfim, eu ainda pegava metrô cheio às 18h e não aconteciam cenas caóticas como as que se passaram esses dias.

Certa vez estávamos quatro amigas no metrô de SP. É claro que, às 18h, a linha azul estava lotada. De repente surgiu no ar um cheiro forte de mexerica. Como não tínhamos papas nas línguas (na verdade, não temos até hoje), uma delas falou alto:

“Nossa, quem está comendo mexerica a essa hora no metrô?”

Quando o cabra mais lindo do universo todo, de terno e bem sorridente falou:

“Sou eu, vocês querem um gominho?”

Atônitas, ficamos sem que acreditar que ele nos dirigia a palavra. Agradecemos, recusamos o oferecimento e ficamos caladas. Vá saber o que mais estavam fazendo e poderia ser comentado pelas matracas no momento?


Saúde, moça!

05/06/2009

Esse tempinho frio que tem feito (e eu adoro), me lembrou de uma história batuta. Aliás, me lembrou de outra coisa agora e eu vou abrir parênteses para colocar aqui “Senhores usuários de transporte coletivo (exceto avião, por razões óbvias rs…): aqui vai um pedido de coração para a galera que, como eu, vive nos coletivos: tentem abrir as janelas dos veículos. Sério… me dá raiva aquele monte de gente respirando o mesmo ar (sem contar outros sentimentos e tals…) além de ser prejudicial para a saúde, ok?

Bem, recado dado… vamos lá!

Estava euzinha em um vagão meio vazio do Metrô de São Paulo. Estava, como diria a minha mãe, “gripando” e com uma tosse “canina”. Tossia e tossia e tossia… mal conseguia respirar. Num ato de cavalheirismo (ou de tráfico mesmo, vai saber…), uma criatura levantou, atravessou parte do vagão e me ofereceu um remédio.

Eu, quase sem conseguia falar, mas com um esforço enoooooorme, falei:

- Não precisa, moço.

E ele:

- Aceite, é vitamina C. E sacou uma garrafinha d’água para que eu tomasse o remédio.

Achando tudo aquilo deveras esquisito, insisti:

- Moço, não precisa, de verdade. Eu vou ficar bem.

E a criatura:

- Sim, se tomar o remédio, vai ficar melhor ainda e mais rápido.

E eu, novamente (depois de tossir horrores):

- Olha, não quero. Não precisa. É só uma “tossinha”.

E foi aí que o mais abusado começou:

- Acho melhor você aceitar. Eu andei parte do vagão porque estava ouvindo você tossir. (e eu pensando: os incomodados que se retirem… rs…).
Eu queria ter respondido:

- Não costumo aceitar remédios de estranhos, nem no Metrô, nem em lugar nenhum. Você pode ser um “trafica” que resolveu me viciar em algo rs…

Mas disse, com uma sacada (ou não) “genial”:

- Estou tomando dois antibióticos, mais injeção e faço inalação duas vezes por dia.

Se ele ficou satisfeito (ou não) com a minha resposta, não sei. Mas saiu resmungando.

Soltei um “muito obrigada” alto e ele desceu.

Cada um que aparece, não?

Bjs,

Bobbie.


Seria um mangá?

18/02/2009

Direto da Espanha, mais uma contribuição de minha amiga Glenda. Valeu, amiga!

Mais uma vez o cenário é o metrô de Barcelona. Essa vez era um dia de semana, não lembro muito bem, talvez terça ou quarta. Eu me dirigia ao trabalho quando, para minha surpresa e de todos, absolutamente todas as pessoas que estavam no metrô, entra uma japonesa, toda vestida de branco, com o cabelo rosa e verde fluor. Era uma mistura de noiva trance com mangá… uma coisa de filme mesmo.
Na verdade, nada surpreende em Barcelona porque sinceramente tem muito, mas muito freak. É engraçado porque como muita gente vai pra balada e muitas baladas terminam só na metade do dia seguinte, é comum esse encontro entre virados da balada e trabalhadores.
 
Mas a existência dessa menina mangá dentro do metrô não parava de chamar a atenção. Eu não consegui olhar muito primeiro porque não acho de bom tom (fina, heheheheh) segundo porque ardiam meus olhos. Afffffffffffffffff…
 
Até hoje penso nessa menina com curiosidade de saber porque ela se vestia assim, se relamente voltava da balada, se ela fazia parte de algum grupo de teatro, se ela se dirigia alguma feira de mangá ou de RPG, por que não? ou se era só seu estilo…mistério…


Essa história de remédio…

02/02/2009

Os leitores deste espaço já devem estar meio que acostumados com as minhas vergonhas. Vou esclarecer, pois bem: eu não procuro (hahahaha) situações constrangedoras e vou provar isso com esse post. 

Eu sempre pegava o metrô na linha azul e, sendo no mesmo horário, você acaba quase que conhecendo as pessoas. E SEMPRE tinha um cabra bem magro, com receitas de remédio na mão, pedindo dinheiro. E toda vez era exatamente igual: Ele entrava no vagão, começava a falar que não arrumava emprego porque era HIV positivo e que precisava comprar remédios. E chorava. Chorava muito. Voilà: a história da criatura sempre comovera milhares. 

Certa vez, estava eu, quietinha no meu canto, quando ele apareceu. Começou seu discurso, começou o choramingo e naquele dia eu resolvi ajudar o pobre moço. Tirei do bolso umas moedas e ele veio até mim. Ao invés de ficar calado, a criatura solta em um volume astronômico e, claro, chorando:

- Essa menina me ajuda há mais de dez anos!

TODOS os olhares do vagão voltaram-se para mim. Eu, de pé, mais uma vez queria que o chão se abrisse ou que a tão sonhada passagem secreta surgisse do nada. Mas, como meus sonhos às vezes não se realizam, fiquei ali, ouvindo comentários dos outros quanto à reação do moço e, logicamente, sobre a pessoa mais altruísta aqui (leia-se trouxa) que eles já viram na vida.

Beijocas,

Bobie.


Show de horror no metrô de Barcelona‏

28/01/2009

Mais uma colaboração de Luciana Glenda, minha amiga chiquééérrrrrima que vive na Europa e tem vários causos internacionais do transporte na manga.

Cenário: Metrô de Barcelona,  sábado às 9 da manhã.

Eu me dirigia ao trabalho. O  metrô chega ao destino e subo as escadas em direção à saída quando vejo três jovens abordando as pessoas de maneira pouco delicada.
Tratava-se de uma garota e dois garotos por volta dos 20 e poucos anos, um deles com uma camiseta do Brasil. Voltavam provavelmente da balada pela cara que tinham e os absurdos que faziam. O da camiseta simplesmente gritava na cara das pessoas. Sim, GRITAVA AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH… numa especie de pegadinha do inferno… Os outros dois amigos tentavam impedir. Estava claro que o ” da camiseta” estava mais embriagado e bem provavelmente tomado pela força de alguma ou algumas  drogas alucinógenas.
 
Até que chegou a minha vez de passar por ele e ele fez o mesmo: - AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH na minha cara.
Eu, indignada, disse: – Tinha que ser brasileiro!

E, para a minha surpresa, o amigo falou: – Ele não é brasileiro.

E arrancou o cara de ali. Pode?
 
Surreal!


Vergonha pouca é bobagem

27/01/2009

Após tirar uma pestana no ombro de um cabra qualquer no metrô, resolvi ficar um pouco mais acordada. Entretanto, a viagem longa nos vagões lotados, me tiravam um pouco da paciência. Logo, eu estava sempre lendo algo. Eu já sou uma criatura que lê até shampoo no banho. Bula de remédio e afins estão na lista. Assim, porque pouparia a leitura alheia?

Conto melhor. Pensando em não dormir, vi que o moço ao lado lia uma revista. Na época eu tinha acabado de operar as vistas e isso me dava uma visão privilegiada. O que eu fiz? Comecei a ler a mesma matéria que o cabra. Quando ele terminou de ler, virou para o lado e soltou:

- Posso virar?

E eu, querendo que o mundo se acabasse, olhei para a frente, e fiz um muchocho de “nem sim, nem não”. E ele:

- Ah, eu espero você terminar.

Bem, já que estava na situação e não tinha como fugir, continuei a ler. Mesmo porque estava no final rs…

Depois disso comecei a me policiar mais e parar de prestar atenção. Aliás, prestar atenção em conversas e participar delas rende um outro post, que depois eu prometo colocar aqui.

Beijocas!


Plim-plim

22/01/2009

Quem viu a gente na TV levante as mãos \O/


Ombro “amigo”

21/01/2009

Como uma pessoa participante de quase todos os tipos de coletivo desenvolvi uma técnica de dormir em qualquer ambiente. Como demorava mais de meia-hora para percorrer o trajeto de casa para o trabalho de metrô, e, tinha a grande sorte de iniciá-lo na primeira estação da linha azul, sempre conseguia um lugarzinho sentada e aproveitava um tempinho de sono bom. E sempre dormia quando estava mais ou menos ao final da segunda estação.

Tinha a sorte de acordar na Vergueiro, uma antes do meu destino para fazer a baldeação para a linha Verde. Era como se eu tivesse um despertador interno: uma voz aqui dentro falava algo como ACORDEEEEEEEEEE e eu abria os olhos, me aprumava e já levantava em direção à porta.

Pois bem, certa manhã, estava euzinha tirando aquela pestana. Me aconcheguei de tal forma, que apaguei. E o sono estava ferrenho, pesado, gostoso… quando, ao chegar perto do meu destino, abri os olhos e notei algo diferente. Eu estava DEITADA NO OMBRO DO SUJEITO ao meu lado.

Levantei a cabeça devagarinho, olhei para o cidadão com vergonha (não sabia onde enfiar a cara…) e pedi desculpas. E não é que a criatura bondosa falou: “Pode ficar, sem problemas”.

Imaginem a cena, caros leitores: eu já estava com a vergonha.exe instalada com sucesso. Queria que um portal se abrisse em direção a alguma dimensão secreta e o cabra ainda solta essa?

O jeito foi agradecer, levantar e saltar no Paraíso – estação que, neste caso de “salvamento” de dignidade, não poderia ter um nome melhor (risos…)

Beijocas,

Bobie Salles.


Sabe aquela conversinha de corredor?

09/12/2008

Mais uma colaboração do meu querido amigo e aventureiro do transporte coletivo de São Paulo, Daniel.

 

Estava eu no metrô, estação Sé, às 14h de uma segunda-feira, dirigindo-me para o meu trabalho, quando me deparo com a seguinte situação:

Três fantásticos jovens de uma etnia nerd, com seus 17~18 anos de idade, assim conversavam:

(ANTES QUE ME PERGUNTEM: “é verdade, querido amigo?” Sim, é verdade! Nem eu queria acreditar que fosse verdade, mas infelizmente é!)

- Ei! Hôu… Quem manda mais: comandante ou capitão?
 
(isso, porque, pelo que eu bem saiba, não existe a patente de comandante – pelo menos no Exército não há – comandante é aquele que comanda, podendo ser qualquer um de maior hierarquia, um sargento, por exemplo, ou, porque não, um cabo diante de um soldado raso) 
 
- Ah! Comandante, não é? É, sim, comandante!
- Não é capitão?
- Não! Comandante, com certeza!

 
(e, agora, em seguida à última fala, o mais impressionante, num conhecimento de dar inveja a qualquer estúpido de 3 anos de idade!)
 
- Mas, e no futebol, quem manda mais: o técnico ou o capitão do time?
- Ah! Não sei… Acho que o capitão, não é?
- Não, é o técnico!
- Não, não, é o capitão, sim…
- É, acho que você tem razão!

 
(e, agora, logo após a última fala, mais impressionantemente ainda, num silogismo de fazer inveja a Tomás de Aquino, os de cujus chegaram à conclusão que todos esperávamos!)
 
- Ah! Então não é comandante! É capitão que manda mais!
- É, é verdade!
- É, tem razão!

 
E dessa maneira foram os três embora, felizes, concordando entre eles mesmos, como sábios que acabaram de filosofar sobre as problemáticas do Olimpo.

Sim, senhores, isso mesmo! Foi isso que aconteceu! Não sabia se ria ou se chorava na hora, tamanha a estupidez!

Bem, apesar disso, isto é, afora todas as inúmeras questões por trás desse fato, como o porquê de eles, nessa idade, ainda não terem o conhecimento da função de um técnico ou de um capitão de um time de futebol, algo realmente me incomoda mais:

QUAL DIABOS É A RELAÇÃO ENTRE UMA PATENTE MILITAR E A ORGANIZAÇÃO DE UM TIME DE FUTEBOL???


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