A cascuda e o elevador

19/08/2010

Quando eu tinha uns 14 anos morava em um prédio que tinha um elevador marrom. Ele era horroroso na verdade, mas funcionava, né? E com a preguiça que Deus me deu eu nunca descia os quatro andares pela escada.

O prédio estava em reforma e tinha praticamente um quartel general de pedreiros instalados no térreo. Eu ia comprar pão. Chamei o elevador que chegou rapidinho e entrei.

Apertei o térreo e ele mal começou a descer e parou. Se fosse agora eu teria morrido já aí. Mas à época (isso faz 20 anos) eu era uma adolescente peralta e gostava de aventuras (ahan…). 

O velho e bom botão do alarme foi metralhado por mim e fiquei lá, quietinha esperando o zelador controlar o veículo pela central. Só que de repente vi que uma pequena parte marrom se mexia: era uma barata, minha gente!

Eu comecei a gritar, apertar desesperadamente o botão do alarme, clamar por socorro, chorar, fazer o maior escândalo do mundo. Ela ia prum canto e eu, apavorada, corria pro outro (como se fosse possível correr dentro de um elevador, mas ok).

Aquela caixa gigante #NOT começou a andar e, ao abrir a porta, havia uns 10 pedreiros, o zelador e o síndico do prédio do lado de fora. Eu sai correndo e gritando: MATA. MATA, MATA… quase sem ar.

Eles não entenderam nada até eu apontar a cascuda que deveria estar rindo horrores da minha cara. Quando dei por mim e cai na real pedi desculpas pelo show e por ter atrapalhado o trabalho dos moços.

Mas gente, alguém merece ficar em uma caixa quadrada, da mesma cor de uma barata, sem ter pra onde correr?


A doce timidez

21/06/2009

Essa aconteceu com uma amiga e, luxuosamente, inaugura uma nova categoria de coletivos nesse blog: a de elevadores. Pois bem, essa amiga é incrível de tão simpática. Então… simpática, na verdade, é um elogio que cabe bem à moça.

Ela diz que é tímida, usa aquele velho-golpe de que só se solta com a gente… mas veja só. Estavam no elevador do prédio que eu moro: Bruna, Ericã, Gabi, Fifi e um morador desconhecido de todos.

Assim que entraram soltaram um “boa noite”. Coagido, o moço respondeu, ao menos, e ficou no canto. Mal a porta fechou, eis que a Bruna, a mulé simpatia (porém tímida e tals rs…), sente um cheiro de bala. E “phynna”, dispara:

- Pode me dá, que eu to sentindo cheiro de bala.

E o Fifi:

 - Não sou eu que estou com bala…

Todos os outros fizeram silêncio. A bala, C L A R O, estava com o moço desconhecido, que nem ligou pra cena, nem para oferecer uma balinha pra a menina.

Os quatro desceram antes dele e quase morreram de rir.

Pode?

Bjs,

Bobbie.

P.S.: Vou publicar isso também no Gente, foi horrível, por razões óbvias. 


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