Quando eu tinha uns 14 anos morava em um prédio que tinha um elevador marrom. Ele era horroroso na verdade, mas funcionava, né? E com a preguiça que Deus me deu eu nunca descia os quatro andares pela escada.
O prédio estava em reforma e tinha praticamente um quartel general de pedreiros instalados no térreo. Eu ia comprar pão. Chamei o elevador que chegou rapidinho e entrei.
Apertei o térreo e ele mal começou a descer e parou. Se fosse agora eu teria morrido já aí. Mas à época (isso faz 20 anos) eu era uma adolescente peralta e gostava de aventuras (ahan…).
O velho e bom botão do alarme foi metralhado por mim e fiquei lá, quietinha esperando o zelador controlar o veículo pela central. Só que de repente vi que uma pequena parte marrom se mexia: era uma barata, minha gente!
Eu comecei a gritar, apertar desesperadamente o botão do alarme, clamar por socorro, chorar, fazer o maior escândalo do mundo. Ela ia prum canto e eu, apavorada, corria pro outro (como se fosse possível correr dentro de um elevador, mas ok).
Aquela caixa gigante #NOT começou a andar e, ao abrir a porta, havia uns 10 pedreiros, o zelador e o síndico do prédio do lado de fora. Eu sai correndo e gritando: MATA. MATA, MATA… quase sem ar.
Eles não entenderam nada até eu apontar a cascuda que deveria estar rindo horrores da minha cara. Quando dei por mim e cai na real pedi desculpas pelo show e por ter atrapalhado o trabalho dos moços.
Mas gente, alguém merece ficar em uma caixa quadrada, da mesma cor de uma barata, sem ter pra onde correr?
Escrito por bobiesalles