O retorno a São Paulo era para coroar o final de semana perfeito de muito sol na praia de Ipanema no Rio de Janeiro, mas… o nevoeiro que assolou a cidade ontem não permitiu! Marquei a passagem pras 7h30, cedo o suficiente para voltar pra terra da garoa, chegar em casa, desarrumar a mala, botar a roupa de trabalho e ir pro escritório às 10h. Pensei “se der aquele problema do aeroporto ficar fechado, até meio-dia com certeza já estarei em SP”. É que eu tinha um evento para cobrir e fazer matéria. Coisa importante.
Fiz meu check-in, me encaixaram pro voo das 8h10 e fui pro portão 6 pensando “ah, tá tudo sob controle, daqui a pouco o sol esquenta e derrete esse nevoeiro”. E nada. Tudo branco como a neve. De lá, só saí quando deu vontade de ir ao banheiro, 3 horas depois. E passei o ridículo de pedir pro senhor sentado ao meu lado guardar o lugar pra mim, tamanho era o meu medo de ficar sem um assento confortável pelas próximas horas que me aguardavam.
Aquele salão de embarque foi se enchendo de tal forma que, lá pelas tantas, começou a se assemelhar assustadoramente a uma certa rodoviária… essa mesma, do Tietê! Era um formigueiro de gente espalhada pra tudo quanto é lado: cadeiras, mesinhas, pelo chão. Um festival de laptops, celulares, iPads, smartphones, gente disputando tomada para plugar a bateria que já devia estar acabando. Mulher amamentando nenê, executivo arrancando a gravata. Crianças tentando brincar no meio da bagunça. Gente chegando com barra de chocolate, jornal, revista e eu…
… morrendo de sono, de óculos escuro para tentar tirar um cochlinho, sem internet no celular (preciso providenciar isso logo!), com medo de ligar meu iPod e perder alguma informação importante a ser anunciada pelos auto-falantes, e totalmente sem concentração para ler.
De tempos em tempos, uma ponta de esperança surgia: “Atenção passageiros, a Infraero informa: o aeroporto Santos Dumont permanece fechado por questões meteorológicas”. Humpf! Aí não teve jeito, liguei pra minha chefe, expliquei o que tava acontecendo e a pobre estava no hospital com o filho bebê internado, tadinho! Falei com uma colega do escritório que gentilmente se prontificou a cobrir o evento pra mim, caso eu não chegasse a tempo.
Deu 11h30 e bateu a fome. Abandonei meu assento e fui esticar as pernas, atrás de um lugar pra beliscar algo. Fui atrás da única lanchonete do recinto. Se eu contar que a fila me lembrava aquela do INPS, vocês acreditam?!?! Pois é, levei uns 20 minutos pra ser atendida, mas garanti um pão de queijo murcho, um pão de batata solado e um brownie de chocolate delicioso. É nessas horas que a gente percebe que falta TV, bebedouro, mais cafeterias, assentos e as falhas no sistema de ar-condicionado ficam evidentes…
A essas alturas o aeroporto já estava funcionando, mas 1/3 dos voos tinham sido ou cancelados ou estavam atrasados. O avião que me levaria de volta tinha previsão de pouso para 12h10. Passou para 12h30. Quando eu ouvi essa mensagem, não me contive e soltei um belo dum palavrão e o senhor do meu lado concordou comigo. Portão de embarque mudou pro andar de baixo e o caos tomou proporções ainda maiores. Lá vai a boiada descer a escada rolante. Aí tá todo mundo lá na fila indiana esperando pacientemente pelo busão da Infraero nos levar pra aeronave. A primeira turma saiu. E o busão não voltava pra pegar o resto da galera. Na fila, a moça atrás de mim começou a discutir fortemente a relação com seu namorado pelo celular. “Por que você tem sempre que agir assim toda vez que eu volto pra SP? Eu não quero mais falar com você. Eu já vou embarcar.” E ficou nessa lenga-lenga até de fato embarcarmos, o que aconteceu acho que 1 hora depois.
Quando a gente já tá lá na frente, chega uma senhorinha e pergunta: “É aqui o portão do voo 1519?” E aí a atendente responde “Não, senhora, este aqui é o voo 1509”. E ela: “Eu vou chamar o meu marido”. Aí vem o senhorzinho dizendo “Deve ser tudo junto…”. E ficaram lá os dois, no direito de atendimento preferencial iniciando o tumulto no embarque. De repente, eis que chega um aparente distinto senhor de 1,90m de altura, com a perna quebrada e bengalas. Com uma voz de locutor de rádio, iniciou seu discurso. “Com licença. Eu estava lá em cima aguardando meu voo, mas me disseram que o embarque será feito aqui. Por favor, qual é o portão e o horário desse voo?” Aí o atendente, que já estava super cansado, falou educamente: “Senhor, não tenho como lhe passar essas informações no momento. Sua aeronave já se encontra em solo, mas ainda não há uma definição.” De repente, toda aquela educação foi pro saco. “Escuta aqui, eu não tenho nada a ver com isso. Eu exijo essa informação. Eu não tenho condições de ficar pra cima e pra baixo, pulando de um portão para o outro. Essa companhia aérea é uma m$%&#. E você, você é um m$%#& também!!!” Começou a esbravejar. O casal de senhores se afastou, horrorizado, e eu já fui logo me encolhendo achando que o sujeito partiria pra agressão. Ainda bem que o atendente não retrucou e ficou no “deixa disso”.
Finalmente, às 14h30 chegou o ônibus que nos levou pro avião e às 15h decolamos… com um “breve” atraso de 7h20 (se tivesse voltado de busão, tinha chegado quase na mesma hora).Voo lotado. Vista linda, não dá pra negar. Consegui ligar meu iPod e cochilar um pouquinho. E quando cheguei a São Paulo, ainda consegui pegar 40 minutos do tal evento que tinha que cobrir. Ah, Rio de Janeiro, faz isso comigo de novo não!