Beijinho, beijinho…

25/01/2012

Intimidade é um negócio complicado. Como o metrô mais perto de casa não é tão perto assim, eu costumo pegar sempre uma lotação cujo ponto final fica a três quadras do metrô Santa Cruz. Como já faz uns 4 anos que com certa frequência pego a tal lotação, fiz “amizade” com o fiscal que fica lá no ponto. O rapaz é super simpático, puxa conversa, fala da vida dele, já quebrou altos galhos e, pra completar, me chama até de linda (pois é).

Um dos galhos que ele quebrou foi uma vez que cheguei lá mais de meia-noite e o ônibus que estava no ponto estava voltando pra garagem, sem pegar passageiros, e ele e o motorista não só me deixaram ir – já que o trajeto era o mesmo – como não precisei pagar passagem e pararam na porta do meu prédio. Super gentil, né?

Fico tempos sem aparecer e, quando surjo, ele fica todo feliz. Mas a felicidade foi tanta ao me ver na útima segunda-feira que ele até me cumprimento com beijinho na bochecha. Precisava?!?!?!


Gentileza gera… grosseria?!?!

18/01/2012

Minha mãe me contou a história de hoje há algumas semanas. Ao mesmo tempo em que fiquei indignada, me deu muita vontade de dar risada, de tão inusitado. Vamos ao “causo”.

Estava voltando para casa, sentada, no ônibus da linha 4-Centro-Ponta da Praia, em Santos, quando uma senhora de mais de 70 anos, elegante, bem arrumada, maquiada entrou. Não havia nenhum assento livre, então imediatamente me levantei para que ela pudesse se sentar, afinal ainda faltam alguns anos para eu me juntar a ela no time da terceira idade e ter preferência nos coletivos.

Mas, ao invés do esperado “muito obrigada, minha filha”, recebi como resposta da minha gentileza um discurso indignado. “Tá pensando que por ser mais bonita e mais jovem que eu precisa me oferecer lugar? Sou contra privilégios, todos temos o mesmo direito”, disparou a vovó, ofendidíssima com meu gesto nobre.

Sem-graça, tentei me justificar, dizendo que ela deveria estar cansada. Não contente com a primeira grosseria, ela deu de ombros e foi para o fundo do ônibus e ficou em pé. Chocados tanto quanto eu, os passageiros ficaram se entreolhando e deram risada discretamente.

Como o mundo é pequeno e Santos é um ovo, no dia seguinte aconteceu a mesma coisa, na mesma linha. Eu só fiquei assistindo de longe, esperando a reação dela quando uma moça se levantou e deixou vago o assento. “Por que você está dando seu lugar pra mim?”, perguntou a “elegante” idosa. Mas, dessa vez, o constrangimento foi dela: “Porque vou descer no próximo ponto”, respondeu, honestamente. Como gente fina não perde o rebolado, a senhora seguiu seu caminho, dando de ombros: foi pro fundo do ônibus novamente e ficou em pé, até o final de seu trajeto.


Macarronada da mama

12/01/2012

A história de hoje aconteceu com a minha prima Cristina Cirelli. Usuária assídua do transporte coletivo para fazer tudo, menos visitar a nossa vó (ocasião em que ela pega carona com meus tios ou meu primo), ela vivencia momentos memoráveis…

Almoço da mama não é necessariamente na cantina italiana. Estou sentada no ônibus, indo de Higienópolis – bairro de gente diferenciada – rumo ao Ipiranga, e o lugar vago ao meu lado foi ocupado por uma senhora, com seus 80 e tantos anos. A filha dela sentou-se no banco da frente.

Mal se acomodou no banco, a vovozinha, na maior naturalidade do mundo, saca a marmita da bolsa, no maior estilo bóia fria, e, ali mesmo, sem cerimônias e muito menos higienizar as mãos com álcool gel, começa a degustar sua macarronada, acompanhada de arroz e coxas de frango. Sim, coxas de frango, que sabemos bem o quão oleosas são e necessitam das mãos para serem bem apreciadas. Ela não via a hora de entrar no ônibus para fazer sua refeição.

Não acreditando na cena, meu estômago tratou de me convencer da veracidade da cena hilária e começou a embrulhar. Para evitar que ânsia virasse vômito, imediatamente mudei de lugar. Enquanto a senhora literalmente almoçava , a filha, mais modesta, estava apenas pesticando uns biscoitos de polvilho.

Quando já estava satisfeita e com o prato devidamente raspado – provavelmente seguindo o conselho que dá aos seus netinhos e bisnetinhos – a senhorinha imediatamente foi fazer companhia à sua filha para “filar” os biscoitos, dando início à sessão “sobremesa”, devorando ferozemente o pacote.

Para fechar a cena requintada, só faltou tubaína e palito de dente.

Pára tudo que eu quero descer!!!!!!! Urgh!!


Jabaquara-Santos/Ponta da Praia? Não!!! Jabaquara-Cota 200-Cota 400-Saboó-Rodoviária- Ponta da Praia

10/01/2012

Ano novo, vida nova… ao contrário de 2011, quando só publiquei dois posts neste blog que outrora quase me catapultou à fama, 2012 promete muitos posts hilários, meus fiéis e queridos leitores!!!!

Bem, vamos à história de hoje. Quinta-feira, 29/12/2011. Local: Terminal Rodoviário do Jabaquara. Destino: Santos-Ponta da Praia. Horário: 11h10. É, minha gente, ante-véspera da virada, o busão (quase) lotaaaaado partiu rumo à Baixada com os tradicionais 10 minutos de atraso e, de repente, o motorista para. Não tinha andado nem 1km. Sobe um passageiro. Andou mais um pouco e nova parada. Mais um passageiro. Olhei pra trás e vi que, agora sim, o ônibus estava lotado e seguiria viagem, só parando novamente no pedágio e na rodoviária de Santos. Ledo engano. Acompanhem a saga.

Até chegar ao pedágio, foi um congestionamento daqueles. Sei lá eu quanto tempo levou, mas depois, pegamos a Anchieta e seguimos bem pela estrada até que… o motô parou. “Mas por que raios esse homem parou de novo de novo???” pensei. “Olha a cocada!!!”, anunciou a ambulante da Cota 200, respondendo minha pergunta. Percorreu o busão todinho vendendo a tal cocada, se equilibrando entre uma curva e outra da sinuosa estrada de Santos. Essa pra mim não era novidade, umas vezes aí outras mocinhas subiram pra vender também. Embora o carro estivesse cheio, a venda foi fraca. Lá vai o motorista parar de novo pra vendedora descer, acho eu, na Cota 400. É por essas e outras razões muito mais nobres, como as questões da recuperação da Mata Atlântica, que acho o máximo o projeto do Governo do Estado de São Paulo de desocupar as Cotas em Cubatão.

Finalmente chegamos a Santos! Mas quando, ainda sonolenta da viagem, eu achava que dali do Saboó pra rodoviária seria apenas um pulinho, nova parada. Eis que adentra uma moça com a cara pintada de palhaço e seu fiel escudeiro, segurando uns cartões. “Boa tarde, genteeeeeeee!!!!! Desculpa incomodar a viagem de vocês, mas é que eu trabalho pra companhia de teatro XYP…”, apresentou-se a incômoda intrusa, acordando o ônibus inteiro que estava na maior harmonia silenciosa.

“Mas era só o que me faltava!!!!!”, disparou a elegantérrima mulher que estava ao meu lado. “Você está me incomodando sim!”, esbravejou pra tal palhaça, que bem da sem-graça pediu desculpas, mas seguiu importunando todos os passageiros, vendendo os tais cartões postais sob o duvidoso “nobre propósito” de arrecadar fundos para manter o grupo teatral. Entrei na conversa da minha vizinha e recordei de outras vezes que já havia presenciado vendedoras de cocada, mas que permitir a entrada desses pilantras já era um pouco demais, pelo menos para um ônibus de viagem com passagem cara e que promete um mínimo de conforto na viagem.

Nós duas concordamos em telefonar para o SAC da Ultra (empresa de ônibus em questão) para registrar a reclamação. Deixei passar o ano novo e liguei. O número do SAC impresso na passagem (0800-771-1126) não atendeu nenhuma vez. E foram várias as tentativas em dias e horários diferentes. Aí liguei para a garagem no outro número impresso na passagem. Me atendeu o Eduardo, um rapaz simpático, que disse ter anotado minha reclamação, com as informações da viagem, para dar encaminhamento. “É, moça, os motoristas não podem deixar esses vendedores entrarem, é proibido e foge totalmente às nossas orientações. Olha, hoje mesmo alguém deve te ligar para dar uma posição”. Até hoje estou esperando um retorno.


Uma rodoviária chamada Santos Dumont

09/08/2011

O retorno a São Paulo era para coroar o final de semana perfeito de muito sol na praia de Ipanema no Rio de Janeiro, mas… o nevoeiro que assolou a cidade ontem não permitiu! Marquei a passagem pras 7h30, cedo o suficiente para voltar pra terra da garoa, chegar em casa, desarrumar a mala, botar a roupa de trabalho e ir pro escritório às 10h. Pensei “se der aquele problema do aeroporto ficar fechado, até meio-dia com certeza já estarei em SP”. É que eu tinha um evento para cobrir e fazer matéria. Coisa importante.

Fiz meu check-in, me encaixaram pro voo das 8h10 e fui pro portão 6 pensando “ah, tá tudo sob controle, daqui a pouco o sol esquenta e derrete esse nevoeiro”. E nada. Tudo branco como a neve. De lá, só saí quando deu vontade de ir ao banheiro, 3 horas depois. E passei o ridículo de pedir pro senhor sentado ao meu lado guardar o lugar pra mim, tamanho era o meu medo de ficar sem um assento confortável pelas próximas horas que me aguardavam.

Aquele salão de embarque foi se enchendo de tal forma que, lá pelas tantas, começou a se assemelhar assustadoramente a uma certa rodoviária… essa mesma, do Tietê! Era um formigueiro de gente espalhada pra tudo quanto é lado: cadeiras, mesinhas, pelo chão. Um festival de laptops, celulares, iPads, smartphones, gente disputando tomada para plugar a bateria que já devia estar acabando. Mulher amamentando nenê, executivo arrancando a gravata. Crianças tentando brincar no meio da bagunça. Gente chegando com barra de chocolate, jornal, revista e eu…

… morrendo de sono, de óculos escuro para tentar tirar um cochlinho, sem internet no celular (preciso providenciar isso logo!), com medo de ligar meu iPod e perder alguma informação importante a ser anunciada pelos auto-falantes, e totalmente sem concentração para ler.

De tempos em tempos, uma ponta de esperança surgia: “Atenção passageiros, a Infraero informa: o aeroporto Santos Dumont permanece fechado por questões meteorológicas”. Humpf! Aí não teve jeito, liguei pra minha chefe, expliquei o que tava acontecendo e a pobre estava no hospital com o filho bebê internado, tadinho! Falei com uma colega do escritório que gentilmente se prontificou a cobrir o evento pra mim, caso eu não chegasse a tempo.

Deu 11h30 e bateu a fome. Abandonei meu assento e fui esticar as pernas, atrás de um lugar pra beliscar algo. Fui atrás da única lanchonete do recinto. Se eu contar que a fila me lembrava aquela do INPS, vocês acreditam?!?! Pois é, levei uns 20 minutos pra ser atendida, mas garanti um pão de queijo murcho, um pão de batata solado e um brownie de chocolate delicioso. É nessas horas que a gente percebe que falta TV, bebedouro, mais cafeterias, assentos e as falhas no sistema de ar-condicionado ficam evidentes…

A essas alturas o aeroporto já estava funcionando, mas 1/3 dos voos tinham sido ou cancelados ou estavam atrasados. O avião que me levaria de volta tinha previsão de pouso para 12h10. Passou para 12h30. Quando eu ouvi essa mensagem, não me contive e soltei um belo dum palavrão e o senhor do meu lado concordou comigo. Portão de embarque mudou pro andar de baixo e o caos tomou proporções ainda maiores. Lá vai a boiada descer a escada rolante. Aí tá todo mundo lá na fila indiana esperando pacientemente pelo busão da Infraero nos levar pra aeronave. A primeira turma saiu. E o busão não voltava pra pegar o resto da galera. Na fila, a moça atrás de mim começou a discutir fortemente a relação com seu namorado pelo celular. “Por que você tem sempre que agir assim toda vez que eu volto pra SP? Eu não quero mais falar com você. Eu já vou embarcar.” E ficou nessa lenga-lenga até de fato embarcarmos, o que aconteceu acho que 1 hora depois.

Quando a gente já tá lá na frente, chega uma senhorinha e pergunta: “É aqui o portão do voo 1519?” E aí a atendente responde “Não, senhora, este aqui é o voo 1509”. E ela: “Eu vou chamar o meu marido”. Aí vem o senhorzinho dizendo “Deve ser tudo junto…”. E ficaram lá os dois, no direito de atendimento preferencial iniciando o tumulto no embarque. De repente, eis que chega um aparente distinto senhor de 1,90m de altura, com a perna quebrada e bengalas. Com uma voz de locutor de rádio, iniciou seu discurso. “Com licença. Eu estava lá em cima aguardando meu voo, mas me disseram que o embarque será feito aqui. Por favor, qual é o portão e o horário desse voo?” Aí o atendente, que já estava super cansado, falou educamente: “Senhor, não tenho como lhe passar essas informações no momento. Sua aeronave já se encontra em solo, mas ainda não há uma definição.” De repente, toda aquela educação foi pro saco. “Escuta aqui, eu não tenho nada a ver com isso. Eu exijo essa informação. Eu não tenho condições de ficar pra cima e pra baixo, pulando de um portão para o outro. Essa companhia aérea é uma m$%&#. E você, você é um m$%#& também!!!” Começou a esbravejar. O casal de senhores se afastou, horrorizado, e eu já fui logo me encolhendo achando que o sujeito partiria pra agressão. Ainda bem que o atendente não retrucou e ficou no “deixa disso”.

Finalmente, às 14h30 chegou o ônibus que nos levou pro avião e às 15h decolamos… com um “breve” atraso de 7h20 (se tivesse voltado de busão, tinha chegado quase na mesma hora).Voo lotado. Vista linda, não dá pra negar. Consegui ligar meu iPod e cochilar um pouquinho. E quando cheguei a São Paulo, ainda consegui pegar 40 minutos do tal evento que tinha que cobrir. Ah, Rio de Janeiro, faz isso comigo de novo não!


Fio dental

23/03/2011

Quando se pensa que já se presenciou o pior do pior no transporte coletivo, vira minha prima e me conta que assistiu de camarote, num trem do metrô, um sujeito passando fio dental. Sim, F-I-O  D-E-N-T-A-L.

Eu não sei o que mais me arrepia:

1) se é pensar que o cara tá com as mãos sujas e vai fazer sua higiene bucal ali no trem lotado, depois de ter encostado em várias pessoas, de ter segurado naquelas barras de apoio que são mais do que ensebadas, antes de pegar uns centímetros do fio dental limpinho pra passar nos dentes;

2) ou se é pensar na coragem que ele teve em expor o momento de intimidade em fazer sua higiene bucal na frente de todos (porque eu e minha colega Shirley concordamos numa coisa: passar fio dental é no banheiro, sozinho, sem testemunhas);

3) ou ainda em pensar que ele, depois de passar o fio dental, vai segurar com as mesmas mãos cheias de restos de alimentos e saliva nas mesmas barras de apoio do trem que eu costumo usar quando utilizo esse transporte coletivo.

SOCORRO!!!!


A “nova” melhor amiga #NOT

09/10/2010

Certa vez, o Marco Aurélio do blog Jesus me Chicoteia e algumas vezes brilhante colaborador do Gente Foi Horrível, escreveu um post genial sobre pessoas interativas. Pois bem…

Estou no ônibus e encontro uma amiga, que acena para mim com cara de desespero. Ela estava sentada e a seu lado, uma senhorita sorridente também me diz oi.

Começamos a conversar sobre a vida e mulher participava ativamente da conversa. Eu pensei:

“Lógico que elas se conhecem, não é mesmo? A mulher está interada de tudo”.

Como ela não falou o nome da criatura – que se apresentou sozinha a mim sem mencioná-lo, eu deixei quieto. A hora que descemos do ônibus, Carlinha me puxou e rindo MUITO disse:

“Eu NUNCA tinha visto essa fulana antes. Mas tive a ‘sorte’ de pegar o ônibus com ela a meu lado e ela veio, desesperadamente, me contar a vida. Me falou do filho, do emprego, de tudo um pouco. E eu deixei, né?”

E olha que eu estava toda sem graça, com vergonha de não saber o nome da mulher rs…

Cada uma que acontece, viu?


Bem antes das mulheres-fruta…

23/09/2010

…Existiu o homem-fruta. Não, não estou falando no sentido pejorativo de algum gay e tals. Mesmo porque isso seria injusto com a minha classe rs…  Isso deve ter acontecido lá pros idos de 1997… enfim, eu ainda pegava metrô cheio às 18h e não aconteciam cenas caóticas como as que se passaram esses dias.

Certa vez estávamos quatro amigas no metrô de SP. É claro que, às 18h, a linha azul estava lotada. De repente surgiu no ar um cheiro forte de mexerica. Como não tínhamos papas nas línguas (na verdade, não temos até hoje), uma delas falou alto:

“Nossa, quem está comendo mexerica a essa hora no metrô?”

Quando o cabra mais lindo do universo todo, de terno e bem sorridente falou:

“Sou eu, vocês querem um gominho?”

Atônitas, ficamos sem que acreditar que ele nos dirigia a palavra. Agradecemos, recusamos o oferecimento e ficamos caladas. Vá saber o que mais estavam fazendo e poderia ser comentado pelas matracas no momento?


A cascuda e o elevador

19/08/2010

Quando eu tinha uns 14 anos morava em um prédio que tinha um elevador marrom. Ele era horroroso na verdade, mas funcionava, né? E com a preguiça que Deus me deu eu nunca descia os quatro andares pela escada.

O prédio estava em reforma e tinha praticamente um quartel general de pedreiros instalados no térreo. Eu ia comprar pão. Chamei o elevador que chegou rapidinho e entrei.

Apertei o térreo e ele mal começou a descer e parou. Se fosse agora eu teria morrido já aí. Mas à época (isso faz 20 anos) eu era uma adolescente peralta e gostava de aventuras (ahan…). 

O velho e bom botão do alarme foi metralhado por mim e fiquei lá, quietinha esperando o zelador controlar o veículo pela central. Só que de repente vi que uma pequena parte marrom se mexia: era uma barata, minha gente!

Eu comecei a gritar, apertar desesperadamente o botão do alarme, clamar por socorro, chorar, fazer o maior escândalo do mundo. Ela ia prum canto e eu, apavorada, corria pro outro (como se fosse possível correr dentro de um elevador, mas ok).

Aquela caixa gigante #NOT começou a andar e, ao abrir a porta, havia uns 10 pedreiros, o zelador e o síndico do prédio do lado de fora. Eu sai correndo e gritando: MATA. MATA, MATA… quase sem ar.

Eles não entenderam nada até eu apontar a cascuda que deveria estar rindo horrores da minha cara. Quando dei por mim e cai na real pedi desculpas pelo show e por ter atrapalhado o trabalho dos moços.

Mas gente, alguém merece ficar em uma caixa quadrada, da mesma cor de uma barata, sem ter pra onde correr?


Uma viagem e tanto

13/08/2010

No começo da semana tava falando com umas pessoas sobre ressuscitar o blog… como já faz um ano que eu trabalho a uma quadra de casa, esta condição, que é uma benção na vida de quem mora em Sampa, acabou por rarear a minha vivência nos transportes coletivos. Mas o episódio de hoje vai compensar todos esses meses de ausência de aventuras.

Gente, era pra ser um trajeto curto: Vila Clementino até a Consolação. Um busãozinho só. Tava feliz da vida: o ônibus chegou logo, tava vazio e, de quebra, ainda levei uma cantada do motorista (não que isso seja motivo de felicidade, mas ele era simpático, de verdade. Só isso.).

-  Motorista, para na Praça 14 Bis? – perguntei.

-  Para sim, moça, e se não parasse, pra você eu parava – disse o animadinho.

Finalmente chegamos no corredor de ônibus da Nove de Julho, pegando pela Avenida Brasil. Era só seguir reto por mais uns três pontos. Era alegria demais para uma pobre desmotorizada engajada. Tudo, de repente, parou. O tempo foi passando e nada. Quinze minutos sem sair do lugar e sem informação do que estava acontecendo. Aí o motorista, extrovertido como ele só, começou a contar uma história que fez a meia dúzia de passageiros cair na gargalhada.

- Essa viagem é muito longa e quando pega trânsito, a gente se aperta de vontade de ir ao banheiro. Lembra do Nonato? Aquele cobrador uma vez passou um vexame… Ele tinha mania de comer um lanche de uma barraquinha suspeita e eu vivia dizendo pra ele “Nonato, isso vai dar dor de barriga. A viagem é longa, rapaz. Vai por mim”. E ele: “Que nada, eu to acostumado. Bota aí duas salsichas, bastante cebola, maionese.” Mas foi dito e feito. No meio da viagem, o Nonato começou a se retorcer todinho, segurava nesse ferro aí e eu resolvi parar e falei “Vai pro banheiro”. E ele: “Não deu tempo…”

Resumo da ópera: o coitado do Nonato não aguentou e fez as necessidades nas calças, ali mesmo, no busão. “Não sobrou nenhum passageiro dentro do ônibus. Eu fui dirigindo com a cabeça pra fora de tanto fedô que tava aquilo lá”, narrou o motorista-vítima. Resultado final: Nonato teve que jogar toda a roupa fora, levou um banho de esguicho dos faxineiros da garagem e voltou pra casa enrolado numa roupão.

Voltando à minha viagem sem fim… meia-hora depois, uma santa alma informou o que havia acontecido: atropelamento. Um ônibus havia passado por cima de um pedestre depois do túnel e interditaram a pista pra pousar um helicóptero de socorro. De repente, passa ambulância, polícia, carro de bombeiro e outras viaturas na outra pista, indo na contra-mão mesmo. A fila do corredor de ônibus já estava chegando na Santo Amaro e aquilo não ia se resolver dentro dos próximos minutos. Detalhe: eu tinha um compromisso às 20h na Consolação e já eram 20h30.

Notícia triste: vítima fatal. Não teria mais helicoptero, mas só liberariam o corpo depois que a polícia chegasse. E você sabem que isso demora…

Desci, fui pra outra pista e peguei um ônibus que fez o caminho de volta até chegar na Santo Amaro. Ali peguei o terceiro ônibus (graças a Deus, uso bilhete único que me dá direito a 4 viagens no período de 3 horas!) e fui pra Brigadeiro. Quando cheguei na Paulista, minha amiga que me aguardava em sua casa me informou que o melhor jeito de eu chegar até lá era pegando um outro ônibus que descesse a Avenida Consolação. Era demais pra mim. Sucumbi e peguei um táxi. Mas antes eu consultei o motorista: “Pra chegar até tal rua, quanto fica a corrida? Porque eu só tenho R$ 20”. Ele garantiu que daria, no máximo, R$ 15.

E errou por pouco. Deu R$ 13. E Deus é pai porque chegamos lá em menos de dez minutos. O tal do motorista não devia tomar banho há uma semana e a fedentina já estava impregnada no carro inteiro.

Depois de duas horas para fazer um trajeto de uns 10 quilômetros, de pegar três viagens de ônibus, ouvir contos de motorista, pagar uma corrida de táxi que quase me sufocou, cheguei em segurança ao meu destino. Ufa!